A razão e o título deste blog

Este blog nasceu da constatação de que o Brasil, alinhado com outros países da América Latina, vem numa escalada vigorosa rumo ao totalitarismo. É possível perceber, nas mais diferentes esferas, indícios de que estamos próximos – se é que já não chegamos lá – de viver em pleno 1984, de George Orwell. Orwell, aliás, foi um dos primeiros a perceber que toda revolução totalitária é precedida por uma revolução semântica, e esse é um dos temas centrais do presente blog.

Creio que o Brasil está passando por um processo de deturpação da linguagem pública, especialmente política. Tal deturpação cria uma camada semântica protetora, bloqueando o acesso à realidade, e impossibilitando sua correta expressão. É como se tivéssemos passado ao largo das bases fundamentais do pensamento ocidental, ignorando a criação da filosofia e ciência política por Sócrates, Platão e Aristóteles. Como se estes pensadores nunca tivessem existido para além de pequenos círculos de estudiosos, o Brasil parece ter adotado o paradigma sofista, onde a retórica e o consenso público - reforçado hoje pela "rebelião das massas", no sentido de Ortega y Gasset - eram mais importantes do que a verdade. Como dizia outro autor que admiro muito, o filósofo político Eric Voegelin, o totalitarismo é menos um fenômeno político e mais um fenômeno pneumopatológico, ou seja, uma doença do espírito. Ele começa na mente doentia de alguns guias espirituais e líderes políticos e, daí, quando não encontra uma reação firme e pronta, se espalha para toda a sociedade. Como mostrou Voegelin no magistral “Hitler e os Alemães”, isso foi o que aconteceu na Alemanha, por exemplo, permitindo a ascensão do nazismo. A sociedade alemã, na época, não teve a coragem de perceber a extensão do problema, nem tampouco possuía meios de descrevê-lo corretamente. Mutatis Mutandis, creio que algo semelhante ocorre no Brasil. Os grandes responsáveis por isso são, a meu ver, os formadores de opinião: imprensa, comentaristas políticos, artistas, intelectuais.

O fato é que a sociedade brasileira está cada vez mais suscetível a todo tipo de totalitarismo, e o domínio que o atual governo exerce sobre diversos domínios sociais - chegando mesmo a impor um quadro de referências e linguagem permitido - é um claro sinal. Este blog pretende reunir amostras que nos ajudem a compreender como o Brasil e o Universo puderam se distanciar tanto...

sábado, 20 de dezembro de 2014

A Matemática Opressora: o problema da pedagogia no Brasil




"[A] pedagogia, como é hoje considerada, está desligada do saber, pretende substituí-lo e ocupar o seu lugar. A 'pedagogia' tem um aspecto social: atrai o intelectual proletaróide, prometendo-lhe uma revanche contra o competente e o sábio." (Alain Besançon, prefácio de A Escola dos Bárbaros, de Isabelle Stal e Françoise Thom)

Foi o filósofo Gilbert Ryle quem cunhou o termo "erro categorial" (category-mistake). Comete-se um erro categorial quando se atribui a um ente uma propriedade que, por sua própria natureza, ele jamais poderia ter. 

Para ilustrar o fenômeno, Ryle imagina uma pessoa comum, pouco afeita ao universo acadêmico, visitando Oxford pela primeira vez. Chegando lá, essa pessoa indagaria sobre a localização exata da universidade, imaginando vir a obter uma resposta do tipo: "É logo ali, ao lado da sala dos professores". Ao conceber a "universidade" como uma edificação específica, e não como o conceito funcional que abarca todas os setores que a integram, a pessoa teria cometido um erro categorial.

As crianças são mestras na produção de divertidíssimos erros categoriais. Temos um erro categorial clássico quando, por exemplo, um pequeno queixa-se a um móvel no qual acabou de bater a cabeça: "Sua mesa malvada!". Mas os erros categoriais infantis mais curiosos costumam ter a ver com confusões ou reinações sinestésicas. "Qual é o gosto da cor verde?", "Qual é a cor do seu nome?", "O número 6 é muito barrigudo, tia."

Nas crianças, o erro categorial faz parte de seu desenvolvimento cognitivo natural. Já em adultos, o fenômeno pode indicar um certo lapso de inteligência, embora homens intelectualmente brilhantes não lhe sejam imunes (para Ryle, era o caso de Descartes). Ressalve-se, claro, que o erro categorial só se caracteriza no âmbito do discurso literal, denotativo. O uso consciente e figurado da sinestesia ou de outras "más" atribuições de propriedade não constitui erro algum, evidentemente.

O tema deste post é um erro categorial tragicômico: a matemática opressora. 

Sim, no Brasil, era fatal que a luta de classes chegasse até esse ponto. E o pior: o erro não parece ser fenômeno isolado, nem, muito menos, escandaloso. Ao contrário, cometê-lo, cá em Pindorama, pode conferir a quem o faz o título de doutor naquela que é classificada como a melhor universidade do país.

Creia, leitor, mas a matemática opressora é tema de uma tese de doutorado intitulada Paulo Freire e Ubiratan D'Ambrosio: Contribuições para a Formação do Professor de Matemática no Brasil, defendida na faculdade de educação da USP. Eis o resumo do trabalho, que, por ora, diz tudo o que precisamos saber:


"Nossa investigação é uma pesquisa teórica de cunho histórico-filosófico-educacional, que tem como objetivo principal discutir as contribuições de Paulo Freire e de Ubiratan D’Ambrosio para a formação do professor de matemática no Brasil. A dialética e as técnicas de análise de conteúdo constituem a metodologia adotada. Desse modo, nos impusemos como tarefa analisar a formação do professor de matemática de modo contextualizado com a nossa realidade social atual e reconstituindo a função histórica que a nossa escola e a formação docente desempenharam como reforçadora das desigualdades sociais e mantenedoras do status quo da sociedade capitalistaNo levantamento histórico, utilizamos as contribuições de G. Freyre, S. B. de Holanda, C. Prado Júnior, L. Basbaum, C. Furtado, F. de Azevedo, J. K. Galbraith, O. de O. Romanelli, A. Teixeira, entre outros. E, em nossa análise, nos valemos das contribuições de K. Marx, F. Engels, A. Gramsci, M. Chauí, L. Althusser, J. Contreras, O. Skovsmose A. Ponce, M. Gadotti, K. Kosik e outros referenciais próprios da área. A formação do professor de matemática é vista como resultado de um processo histórico-cultural que mantém ainda uma forte herança de elementos de uma sociedade colonial, corroborado pela não participação democrática do povo brasileiro em seu processo de constituição sócio-cultural numa sociedade capitalista e excludenteE o trabalho demonstra que os atuais processos de formação de professor de matemática ainda são fortemente sedimentados numa formação alienada aos ditames de uma sociedade de classes, que não permite ao futuro professor compreender e fazer uso da necessária autonomia inerente à sua atuação, o que o faz atuar como um intelectual orgânico a serviço da consolidação da hegemonia da classe dominante. Nesse sentido, os constructos teóricos de P. Freire e de U. D'Ambrosio mostram-se como indicadores de encaminhamentos possíveis no processo de formação de um professor de matemática crítico/libertador e, por isso, consciente de sua tarefa como agente ativo na formação de um educando não especialista em matemática, mas inserido em sua realidade social como um sujeito transformador e em transformação, que encontra na matemática uma ferramenta para o processo dialético de sua própria construçãoAssim, a investigação indica a necessidade de uma atuação dos formadores no sentido de conscientizar os futuros professores de matemática de sua tarefa como intelectuais orgânicos a serviço da construção da hegemonia dos excluídos, dos explorados em geral. Ou seja, a investigação aponta a necessidade de a formação inicial se constituir como um antidiscurso ao discurso ideológico da classe dominante" (grifos meus).

Temos aí um exemplo típico de trabalho acadêmico que pedagogos e educadores têm produzido atualmente no Brasil. A tese deve ter sido aprovada com honrarias e louvores. São pessoas como o seu autor as que ditam os rumos de nossa política educacional, ocupando cargos no MEC, ou em secretarias estaduais e municipais de educação. São elas quem formam os professores brasileiros e, pois, deformam os nossos estudantes.

Compreende-se, pois, porque os alunos brasileiros ocupam as últimas posições nos testes internacionais. No último PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), por exemplo, divulgado em abril deste ano, o Brasil ficou em 38º colocado entre 44 participantes de uma avaliação de matemática e raciocínio lógico. "Os estudantes brasileiros têm sérias dificuldades para resolver problemas de matemática aplicados à vida real", conclui uma reportagem sobre o caso (ver aqui).

Do ponto de vista dos pais desses estudantes, e da sociedade em geral, o fenômeno é certamente assustador. Mas, do ponto de vista dos pedagogos e educadores brasileiros, não parece haver grandes problemas no resultado do PISA, uma vez que - diz com todas as letras o autor da tese acima citada - o objetivo do professor de matemática é formar um educando "não especialista em matemática (sic), mas inserido em sua realidade social como um sujeito transformador e em transformação" blá blá blá...

Claro está, então, que o objetivo da pedagogia brasileira, do MEC e das secretarias locais de educação, não é o mesmo que o dos pais e o restante da sociedade. Eis o grande problema da educação brasileira, que precisamos começar a compreender e enfrentar: enquanto a sociedade espera que os professores ensinem matemática, português, ciências etc. ao estudantes, os profissionais que formam os professores não estão interessados em nada disso. Para eles, aquelas disciplinas servem tão somente como meios para a doutrinação de crianças e jovens no discurso comunista (em versão gramsciana) da luta de classes. "A pedagogia é a propedêutica do socialismo", escreve acertadamente Alain Besançon no texto referido em epígrafe.

Que assim seja confessa o próprio pedagogo da USP, para quem a sua missão é "conscientizar os futuros professores de matemática de sua tarefa como intelectuais orgânicos a serviço da construção da hegemonia dos excluídos". E você aí pensando, caro e ingênuo leitor, que a tarefa do professor de matemática fosse ensinar a fórmula de Báskara...

Escreve Ortega y Gasset em Misión de la Universidad: "Princípio de educación: la escuela, como instituición normal de un país, depende mucho más del aire público en que íntegralmente flota que del aire pedagógico artificialmente producido dentro de sus muros. Sólo quando hay ecuación entre la presión de uno y otro aire la escuela es buena".

No Brasil, há um desencontro total entre o "ar público" e o "ar pedagógico artificialmente produzido dentro dos muros escolares". Logo: acá la escuela no es buena. A sociedade como um todo optou por abdicar da educação infantil, delegando a missão para os "especialistas" em pedagogia, e conferindo a estes um prestígio - e, portanto, um poder - totalmente imerecido e desproporcional. Todos parecem concordar com a fórmula mágica "mais verba para a educação!", desatentos para o fato de que ela implica mais pedagogia e, pois, menos matemática, português, ciências e demais disciplinas "opressoras". 

Lavamos as mãos, confiando que a meta dos "especialistas" correspondia aos nossos anseios. Erramos feio, erramos rude! E sói reconhecê-lo com urgência. É preciso acabar com o monopólio que a pedagogia - essa  "falsa ciência", nos dizeres de Besançon - exerce sobre a educação brasileira. Até lá, o nosso mote deveria ser: MENOS VERBA PARA A EDUCAÇÃO! - pelo amor de Deus.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Ciência, Política e Religião: o que faltou na crítica de Giannetti

Eduardo Giannetti publica hoje na Folha um artigo que dá o que pensar. Ele tem razão em criticar essa espécie de laicismo histérico a que assistimos diariamente nos veículos de comunicação, cujo fundamento é uma imagem simplória e estereotipada, presa que é de uma ultrapassada narrativa iluminista, da ciência e da religião (ver, sobre isso, o meu artigo Faniquitos Anticlericais). Nesse sentido, dizer que o evangelismo da candidata Marina Silva ameaça a laicidade do Estado é, de fato, uma estupidez e coisa de ignorante - "ciência como superstição", nas palavras do autor.

Por outro lado, Giannetti nada diz sobre a relação de Marina com a grande superstição científica de nossos dias: o ambientalismo catastrofista, um verdadeiro milenarismo científico ligado ao complexo mitopoiético e escatológico do aquecimento global e do apocalipse ambiental previsto pela ciência globalista da ONU e de outras organizações internacionais (ou supra-nacionais). O evangelismo da Marina desvia a nossa atenção do fato de que ela é formada, em termos político-religiosos, menos pelo neo-pentecostalismo do que por uma mistura entre a teologia da libertação ortodoxa e a ecoteologia da libertação contemporânea, representada no Brasil por Leonardo Boff. Trata-se, esta última, de uma crítica ao "antropocentrismo" da teologia católica tradicional, e da proposta alternativa de comunhão entre homem e natureza; de um panteísmo, em suma. (Siga o link.)

Marina Silva é um produto acabado desse contexto, uma espécie de sacerdotisa da igreja de Al Gore e do ambientalismo onuseiro, uma candidata que, por isso, conta fatalmente com a simpatia da elite globalista. Toda a conversa marineira de "crise civilizacional", da urgência frente às mudanças climáticas, da ameaça do fim do planeta, e de um "novo modo de ser" - síntese entre o capitalismo sustentável e um senso global de comunhão (ecumenismo e panteísmo) - é fruto direto do vocabulário do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da ONU e da intelligentsia que o rodeia, tal qual os philosophes iluministas rodeavam os déspotas esclarecidos.

O fundamento simbólico da candidatura Marina Silva encontra-se exemplarmente expresso, por exemplo, no livro The Sacred Depths of Nature, da bióloga norte-americana Ursula Goodenough, onde se propõe a idéia de um "naturalismo religioso" (houve quem falasse em "ateísmo transcendente"). Trata-se da promessa de uma neo-teosofia planetária à la Madame Blavatsky e Alice Bailey - um velho sonho da ONU desde os tempos de Robert Müller. Na obra, a autora procura revelar o componente sagrado da interpretação científica da Natureza, interpretação que ela chama de "Epopéia da Evolução", e cuja representação iconográfica perfeita seria o filme Avatar, sucesso de bilheteria do diretor James Cameron.

Como se sabe, o filme faz a apologia de um imanentismo religioso, de tipo Nova Era, onde os nativos humanóides Na'avi vivem em harmonia com a natureza de seu planeta, Pandora, reverenciada por eles como a Deusa Eywa (uma espécie de Gaia ou "Mãe-Terra" panteísta). Há, em Pandora, uma grande rede neuronal bio-botânica, que conecta todos os seres vivos. Os Na'avi, por exemplo, conectam-se aos seus animais de montaria pelas pontas de suas tranças, algo como portas USB orgânicas. 

Pode-se dizer que Avatar busca realizar a síntese entre duas cosmovisões tradicionalmente antitéticas: o primitivismo romântico e o progressivismo tecno-científico. Pandora é a imagem paradigmática da utopia pós-moderna: um imenso sistema tecno-orgânico; uma tecnologia de comunicação extremamente avançada, eficaz e unificadora, aliada à harmonia total com a natureza e respeito pela diversidade (socio-ambiental). Pandora representa o ideal do desenvolvimento sustentável

Seu criador, o diretor James Cameron, seria como o gigante coroado no frontispício original de O Leviatã – que detinha em suas mãos os poderes espiritual e temporal, a cruz e a espada. Cameron, em uma das mãos, leva a mais poderosa tecnologia de ponta e, na outra, carrega os valores da ecologia e da sustentabilidade; na direita, ele segura o grande capital e a hegemonia euro-americana e, na esquerda, o comunismo primitivo e o multiculturalismo. 

O filme insiste numa idéia recorrente, inúmeras vezes já retratada no cinema hollywoodiano, que cai como uma luva para a causa do ambientalismo: o simbolismo do saber vs. o poder, da ciência vs. o irracionalismo estatal-militar. Um dos principais confrontos do filme é entre a visão de mundo pacifista-ecológica da Dra. Grace Augustine (a experiente e sensata botânica vivida pela atriz Sigourney Weaver) e a visão imperialista-bélica do Cel. Miles Quaritch (vivido por Stephen Lang). 

Parênteses: Se eu fosse o diretor James Cameron, teria acrescentado ainda, como aliado do Coronel Quaritch, um cardeal inquisidor ou catequizador de uma Igreja dominante qualquer, que tentaria evangelizar os Na'avi. 

Tal simbolismo da pura ciência contra os interesses dos poderosos - a Dra. Grace contra o Cel. Quatritch - também opera fora do terreno da ficção. Ele é parte inerente do discurso dos cientistas do aquecimento global - e de seus sponsors - contra os seus críticos. Estes últimos, os chamados "céticos", seriam a versão real do Cel. Quatritch: fundamentalistas e arredios à verdade científica; egoístas e movidos por ganância e toda sorte de ambições pessoais; financiados por poderosos industriais cujos interesses seriam prejudicados pela "verdade inconveniente" (este o título do célebre documentário de Al Gore) revelada pelos aquecimentistas. Já estes seriam almas puras, preocupadas com o destino do planeta, movidos tão somente por um amor genuíno pelos seres vivos e pela verdade científica. (É claro que, em tal narrativa, não fica bem informar, por exemplo, que Al Gore fundou em 2004 a empresa Generation Investment Management, financiadora de projetos verdes como energias renováveis e mercados de carbono. Ninguém precisa saber que nem só de amor ao planeta vivem os aquecimentistas).

O filme Avatar faz, ainda, caixa de ressonância a um fenômeno contemporâneo, a notável expansão de um renovado discurso neo-pagão. Recorde-se, a título de ilustração, da Conferência Mundial dos Povos sobre Mudanças Climáticas (Cochabamba, Bolívia), um evento que procurava reagir ao suposto fracasso da Cúpula Mundial do Clima, ocorrido em Copenhague (Dinamarca), em dezembro de 2009. No encontro em Cochabamba (pretensamente alternativo), chegou- se à formulação final da "Declaração Universal dos Direitos da Mãe Terra". Os direitos humanos universalmente estabelecidos pela ONU em 1948, e que, por pressão dos grupos de defesa dos animais, já vinham sendo estendidos, nas últimas décadas, aos animais não-humanos, aplicar-se-iam também agora a um outro tipo de sujeito: a "Mãe-Terra". 

No parágrafo 5º do artigo primeiro da Declaração, lê-se: "La Madre Tierra y todos los seres que la componen son titulares de todos los derechos inherentes reconocidos en esta Declaración sin distinción de ningún tipo, como puede ser entre seres orgánicos e inorgánicos, especies, origen, uso para los seres humanos, o cualquier otro estatus". Vê-se que a utopia aqui não é mais simplesmente a extinção da sociedade de classes, mas a superação de qualquer tipo de distinção – de reino, de gênero, de espécie etc. Trata-se, em suma, da proposta de um imanentismo generalizado ou, como diriam Madame Blavastky e, mais tarde, Leonardo Boff, de uma "fraternidade universal".

A "Epopéia da Evolução" de que fala Ursula Goodenough é como um retrato onírico em que se misturam neo-hippies, ambientalistas e mega-empresários ecologicamente corretos; onde comunidades tradicionais marcham de mãos dadas com o casal Clinton, Al Gore, a WWF e o Greenpeace; onde George Soros, David Rockfeller e Henry Ford passam a integrar o panteão em que já se encontram imortalizados Chico Mendes, Sting, Raoni e Bono Vox.

Escreve Goodenough: 

"That we need a planetary ethic is so obvious that I need but list a few key words: climate, ethnic, cleansing, fossil fuels, habitat preservation, human rights, hunger, infectious disease, nuclear weapons, oceans, ozone layer, pollution, population. Our global conversations on these topics are, by definition, cacophonies of national, cultural, and religious self-interest. Without a common religious orientation, we basically don‘t know where to begin, nor do we know what to say or how to listen, nor are we motivated to respond (...) My agenda for this book is to outline the foundations for such a planetary ethic, an ethic that would make no claim to supplant existing traditions but would seek to coexist with them, informing our global concerns while we continue to orient our daily lives in our cultural and religious contexts (...) Any global tradition needs to begin with a shared worldview (...) It is therefore the goal of this book to present an accessible account of our scientific understanding of Nature and then suggest ways that this account can call forth appealing and abiding religious responses – an approach that can be called religious naturalism (...) the story of Nature has the potential to serve as the cosmos for the global ethos that we need to articulate".

A Marina Silva é a grande representante, no Brasil, desse "ethos global" e dessa "visão-de-mundo comum" que se pretende construir via o poderoso amálgama entre ciência, política e religião que conforma a ideologia aquecimentista do IPCC. A fé privada de Marina não preocupa, e não representa qualquer ameaça à democracia e à laicidade do Estado. O que ameaça a democracia e a soberania nacionais é a fé pública com a qual a candidata está comprometida: a nova religião global do ambientalismo, que busca sintetizar diversas tradições religiosas, com a condição de que seus sentidos originais sejam esvaziados.

Giannetti falou muito bem da Marina evangélica, mas, graças ao seu comprometimento político, não pôde falar do ambientalismo catastrofista que Marina encarna, este sim uma afronta à laicidade e à separação entre política, ciência e religião. A "ciência" do aquecimento global é, hoje, o grande exemplo daquilo que a filósofa Mary Midgley chamou de "ciência como salvação". 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Com Quem Falam os Terroristas?



Um vídeo chocante tem circulado nos portais de notícias e nas redes sociais esta semana. Ele mostra, em cores terrivelmente vivas, a decapitação do jornalista americano James Wright Foley, obra do grupo terrorista Estado Islâmico. Divulgado pelos terroristas no dia 19 de agosto, o vídeo trazia um texto com dizeres antiamericanos, e veiculava a seguinte mensagem, expressa na voz da própria vítima: “Chamo meus amigos, família e entes queridos a erguer-se contra meus verdadeiros matadores, o governo dos EUA. Porque o que vai acontecer comigo é apenas o resultado de sua complacência e criminalidade”[1]

Segundo consta, Foley acreditava realmente no que dizia[2].

Quem estuda ou se interessa pelo terrorismo contemporâneo certamente está habituado com esse modus operandi, em que se repete uma modorrenta ladainha: a culpa por aqueles atos cruéis é dos EUA (ou de qualquer outro bode-expiatório a gosto do freguês: Israel, o “Sistema”, eventualmente o Ocidente como um todo).

A brutal espetacularização da morte de Foley é uma reedição fiel de casos anteriores. Recorde-se, por exemplo, do empresário Nick Berg, americano de origem judia decapitado por militantes islâmicos no Iraque, em 2004. As imagens também foram divulgadas na internet pelos assassinos. Numa declaração com equivalente teor de cinismo, o terrorista Abou Rachid, um dos autores da barbárie, lançava sobre os EUA a culpa pelo que estava fazendo. Na época, a jornalista Sara Daniel, do Nouvel Observateur, fez a reportagem: 

“Enquanto Abou Rachid explica seu ‘dever de matar’, rememoram-se os urros bestiais de Nick Berg, o refém americano que agoniza enquanto os carrascos investem laboriosamente contra seu corpo contorcido: ‘Vocês sabem, sentimos um grande prazer quando decapitamos alguém’, empenha-se em nos comunicar, em inglês, um dos homens sentados à direita do emir... ‘Nossa intenção ao seqüestrar alguém não é amedrontar os reféns’, corrige ele, ‘mas sim exercer pressão sobre os países que ajudam ou se oferecem para ajudar os americanos. Em que pensam quando visitam um país ocupado?... Decapitar não é uma coisa boa, mas um método que funciona. No decorrer dos combates, os americanos tremem de medo. Vejam a reação correta que tiveram as Filipinas. Graças à atitude deles, pudemos liberar nosso refém e demonstrar ao mundo que também amamos a paz e a clemência... Aliás, eu mesmo tentei negociar a troca de Nick Berg por alguns prisioneiros. Foram os americanos que recusaram. São eles os verdadeiros responsáveis por sua morte’”[3].

Qual é a lógica de tal raciocínio? Seria apenas expressão irracional de mentes “atrasadas”, como quer crer boa parte da opinião publicada? Ou, ao contrário, haveria um sofisticado know how de propaganda a embasar a prática e o discurso dos terroristas, que revelariam, destarte, possuir um notável conhecimento da audiência ocidental para a qual se dirigem?

Eu aposto toda a minha coleção de cachimbos na segunda hipótese. E explico.

Para se compreender a lógica do terror, é preciso, antes de tudo, abandonar todo o imaginário iluminista e o seu pendor para a exotização. Nada mais equivocado, por exemplo, do que a opinião corrente, veiculada em matérias jornalísticas e textos de opinião, segundo a qual os terroristas seriam um bando de criaturas primitivas, egressas da Idade da Pedra, cegas e brutalizadas por concepções de mundo “medievais” (adjetivo usado pejorativamente por dez entre dez jornalistas contemporâneos).

De antemão, cabe lembrar que boa parte dos terroristas islâmicos é oriunda de famílias de classe média alta, educada e intelectualizada. Muitos deles estudaram nas melhores universidades do Ocidente, como Harvard e Oxford. Muitos, além disso, demonstram um completo desinteresse pela tradição corânica[4]. Historicamente, os terroristas não fazem parte de uma massa carente, ignorante, oprimida e miserável. Muito pelo contrário, os “guerreiros suicidas” empenhados na jihad foram educados profissional e intelectualmente no mundo globalizado. Dominando os códigos intrínsecos ao ambiente cultural e universitário do Ocidente moderno, é provável que muitos deles viessem a desfrutar de um futuro próspero caso não houvessem optado pelo terrorismo. Portanto, vislumbrar no fundamentalismo islâmico um fenômeno exótico, arcaico ou, em suma, pré-moderno, é um erro crasso, ainda que comum.

Conforme têm mostrado alguns estudiosos do terrorismo contemporâneo – como André Glucksmann[5], John Gray[6], Paul Berman[7], Barry Cooper[8], entre outros –, o movimento jihadista, antes que conseqüência direta de alguma espécie de “mentalidade primitiva”, é precisamente o contrário: um subproduto da modernidade ocidental, do Iluminismo e do Romantismo[9].

Organizações como a al-Qaeda e o Estado Islâmico são atores globais (e não ‘tribais’) que, à semelhança do anarquismo e niilismo russos do século XIX (tão bem descritos por Dostoiévski em Os Demônios), ou dos totalitarismos europeus do século XX (notadamente, comunismo e nazismo), enxergam o terror como método legítimo para instaurar uma nova ordem e um “novo homem”. O "Terceiro Reich" dos nazistas, a “sociedade sem classes” dos comunistas e o "califado universal" dos jihadistas fazem parte, mutatis mutandis, de uma mesma tradição revolucionária. O terrorismo islâmico, portanto, procede essencialmente daquele tipo de experiência existencial que gerou os movimentos revolucionários ocidentais, fenômeno moderno surgido na decadente Rússia czarista. Como diz John Gray: “Se Osama Bin Laden tem um precursor, este é Sergei Nechaev, o terrorista russo do século dezenove”[10].

Ao atribuir a culpa de seus atos abomináveis aos EUA, os terroristas sabem, pois, com quem estão falando. Sabem que encontrarão ouvidos sensíveis a essa mensagem que justifica a violência mediante a auto-vitimização. Grupos como o Estado Islâmico, a al-Qaeda ou o Hamas sempre souberam muito bem explorar a “culpa coletiva” ocidental. Afinal de contas, a idéia de lançar o fardo de todos os males do mundo sobre as costas dos EUA não é algo novo. Ao contrário, essa mesmíssima mensagem é constantemente vocalizada por um sem-número de bien-pensants no Ocidente.

Basta lembrar dos atentados de 11 de setembro. À época, o conceituado lingüista Noam Chomsky, um dos intelectuais públicos mais influentes do mundo, qualificou os EUA de “Estado terrorista”[11]. A tese de Chomsky era a seguinte: os ataques terroristas representavam uma resposta dos povos oprimidos do Terceiro Mundo aos séculos de exploração e expansionismo norte-americano. Os EUA, antes que vítimas, eram, em última instância, os verdadeiros responsáveis pelos atentados. Soa familiar, não?

A posição de Chomsky foi corroborada por outros intelectuais, e amplificada dentro e fora do universo acadêmico. Segundo tal visão, os terroristas da al-Qaeda haviam sido irremediavelmente atraídos para o campo magnético do WTC – símbolo do poderio econômico norte-americano –, não tendo outra alternativa que não a de se explodir contra milhares de inocentes. Os terroristas estariam expressando um instinto de liberdade, instinto demasiado humano que, sob condições de opressão, tende a se mostrar exasperado e, eventualmente, violento. Já os EUA, o país agredido, sendo inexorável e aprioristicamente culpado no tribunal da História, deveria absorver o golpe com humildade e resignação. Como notou o analista político Frédéric Encel acerca desse estilo de interpretação, “é como se os trabalhadores no World Trade Center e os passageiros dos aviões seqüestrados encarnassem o mal da América, tendo que expiar a culpa pelo culto do rei dólar, o destino dos Apaches, o McDonald’s...”[12]

A mensagem era clara, ainda que odiosa quando dita com todas as letras: os EUA pediram aquilo. Enquanto a maior parte da intelligentsia ocidental evitou dizer o que pensava de maneira assim tão direta, houve intelectuais que não se fizeram de rogado. O filósofo Jean Baudrillard escreveu: 

“Olhando de perto, pode-se dizer que eles o fizeram, mas nós o desejamos... Quando o poder global monopoliza a situação a este nível, quando há tamanha condensação de todas as funções na maquinaria tecnocrática, e quando nenhuma forma alternativa de pensamento é permitida, que outro caminho há senão uma guinada situacional terrorista? Foi o próprio sistema que criou as condições objetivas para essa brutal retaliação” (grifos meus)[13].

No Brasil – justamente o país cuja elite política e intelectual achou por bem dar abrigo ao terrorista italiano Cesare Battisti –, não é de surpreender a presença de intelectuais defendendo abertamente a lógica do terror como meio político aceitável. Recorde-se, por exemplo, de um artigo de Vladimir Safatle, intitulado significativamente “Invenção do terror que emancipa”, no qual o professor da USP, resenhando uma coletânea organizada por Slavoj Zizek (outro notório entusiasta da "violência revolucionária"), descreve terroristas de uma maneira assaz peculiar: “sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa”[14]. O cerne do argumento é que o rótulo “terrorismo” é, na verdade, um juízo moralista e reacionário sobre práticas revolucionárias inerentes à história política moderna.

Por ocasião do 11 de setembro, em artigo publicado no Correio Braziliense, Safatle já seguira mais ou menos a linha de Baudrillard: “Verdade seja dita: a terça-feira negra mostrou como a ação política mais adequada para a nossa época é o terrorismo. Ele é o que resta quando reduzimos a dimensão do conflito social à lógica do espetáculo”[15].

Nota-se que esses intelectuais são unânimes em tratar o terrorismo como reação, ou retaliação, a uma agressão anterior. Antes que ação motivada política e ideologicamente, o terrorismo seria equivalente à agressividade reativa de uma fera acuada. Sendo os EUA ou o Ocidente os “verdadeiros” agentes do terrorismo, análises como as de Chomsky, Baudrillard e Safatle acabam por equiparar os terroristas e as vítimas, ambos passivamente sujeitos à atuação de um ator histórico que, de fora e acima, os determina igualmente. Diante do algoz abstrato e categorial, as vítimas concretas (os mortos pelo terror) e os agressores concretos (os terroristas do Estado Islâmico, por exemplo) são todos, de direito, igualados na condição de pacientes históricos. Diante do “fato” primeiro da opressão, o terrorismo torna-se praticamente um imperativo categórico, ou, nas palavras de Safatle, “a ação política mais adequada para a nossa época”.

Ocorre que o terrorismo não precisa de razões, senão apenas de pretextos. Como escreveu o filósofo político André Glucksmann, “o ódio precede e predetermina o objeto que fabrica para si mesmo”[16]. É o que explica o também filósofo político Barry Cooper: “O terror, em especial, não é um meio de enfrentar uma oposição, mas de criá-la (…) Tem de haver um cálculo, uma justificação, para toda a matança, uma narrativa que crie inimigos ‘objetivos’ cuja existência e subseqüente extinção mantenha o aparato homicida em movimento. Esse cálculo e essa justificação é o que [Hannah]Arendt chama de ‘ideologia'" (grifos meus)[17].

Pode-se dizer que, em se tratando de compreender o terrorismo, a razão da intelligentsia tem certa desvantagem em face da razão do senso comum, pois, diferente desta, aquela se vê impedida – graças ao paradigma positivista que esteve na origem da constituição das ciências humanas em disciplinas acadêmicas – de fazer uso de uma distinção moral absoluta entre bem e mal. Cito Cooper mais uma vez: “Para a maioria dos americanos comuns, e, de fato, para a maioria dos seres humanos, os atentados de 11 de setembro foram uma lembrança da diferença entre o bem e o mal. Com efeito, no contexto do progressismo pós-moderno, eles foram uma forçosa lembrança de que tal diferença existe. Os eventos daquele dia não estavam e não estão completamente abertos a interpretações e julgamentos, não foram e não são completamente relativos ou simples matéria de opinião. Quando o presidente Bush referiu-se aos terroristas como ‘praticantes do mal’ [evil-doers], isso não era apenas uma cartada retórica, mas uma descrição correta do que, em árabe, poder-se-ia traduzir diretamente como mufsidoon. Ao mesmo tempo, entretanto, é insuficiente para a ciência política expressar apenas choque e raiva. A indignação de um cidadão e a demanda por justiça ou retaliação é perfeitamente inteligível: a maioria das pessoas sabe quem são os caras maus, e por que eles são maus. É tão auto-evidente quanto poderia ser que os terroristas eram e permanecem sendo fanáticos religiosos e assassinos. É daí que todos, cidadãos e cientistas políticos, devem partir (grifos meus)[18].

A posição de Cooper pode parecer estranha à primeira vista. Isso se dá porque ela está longe de ser dominante entre intelectuais e formadores de opinião. Estes, normalmente, quando convidados por veículos de imprensa a falar sobre terrorismo, procuram contrariar – alguns até corrigir – a percepção espontânea do senso comum sobre o fenômeno. Dessa decisão resultam os muitos malabarismos retóricos e analíticos como os de Chomsky, Baudrillard e Safatle. Para esses autores, a hipótese de que terroristas sejam pura e simplesmente maus é considerada simplista, por suposto. No entanto, desprezando, por assim dizer, esta moralidade maniqueísta do senso comum, os intelectuais acabam reforçando a ideologia subjacente ao terror, ao procurar uma causa supostamente mais “objetiva” que a simples maldade e o desejo de destruição. Para Chomsky, Baudrillard, Safatle e muitos outros intelectuais no Ocidente, os terroristas possuem, de fato e de direito, um inimigo objetivo: a sociedade capitalista ocidental. Nisso, parecem estar de pleno acordo com os fundamentalistas islâmicos. Contra uma lógica “simplista” e “preto-no-branco” (“Fla-Flu” é, hoje, um termo em voga nas redes sociais), propõem-se análises que, sem dúvida mais complexas e sofisticadas, acabam sendo, todavia, menos realistas. Eis um bom exemplo de quando a complexidade funciona como abrigo da ideologia. “A ideologia busca explicar o sentido oculto dos eventos, um sentido nunca acessível ao senso comum (...) Para o ideólogo, as coisas nunca são o que parecem”[19].

Ideólogos extremistas como os assassinos de Nick Berg e James Wright Foley são a prova viva disso. Nos vídeos, vemo-los tentando convencer a opinião pública de que aquilo que se passa à vista de todos é, na verdade, uma espécie de ilusão de ótica. Mesmo estando com a faca e o pescoço das vítimas nas mãos, os assassinos não são eles – como todos poderiam estar imaginando –, mas os EUA. Esses terroristas dizem a sério aquilo que Groucho Marx dissera brincando: “Afinal, vocês vão acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”. 

É lamentável constatar que, com a contribuição de intelectuais-ideólogos tais como Chomsky, Baudrillard e Safatle, uma parcela considerável do Ocidente tenha optado por acreditar nos terroristas, em detrimento do que vêem os próprios olhos.




[1] Link: http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/conteudo.phtml?id=1492488.
[2] Link: http://www.frontpagemag.com/2014/dgreenfield/james-foley-went-looking-to-support-terrorists-in-syria-instead-they-cut-off-his-head/#.U_QH-MkUYLs.facebook
[3] Ver: “Yo lo decapité”. Nouvel Observateur, 5-11 de agosto de 2004. Disponível em: http://www.sara-daniel.com/reportage.php?page=96
[4] Ver: COOPER, Barry. 2004. New political religions, or, An analysis of modern terrorism (Eric Voegelin Institute Series in Political Philosophy). Columbia & London: University of Missouri Press. p. 20.
[5] Ver GLUCKSMANN, André. 2002. Dostoïevski à Manhattan. Paris: Robert Laffont. E também GLUCKSMANN, André. 2004[2007]. O Discurso do Ódio. Rio de Janeiro: Difel.
[6] Ver: GRAY, John. 2003. Al Qaeda and What it Means to Be Modern. New York & London: The New Press.
[7] Ver: BERMAN, Paul. 2004. Terror and Liberalism. New York & London: W. W. Norton & Company.
[8] Op. Cit.
[9] Diz Cooper: “As semelhanças estruturais entre movimentos que, de resto, pouco têm em comum, sugerem que o terrorismo contemporâneo nada mais é que uma espécie de sectarismo revolucionário, ideológico e moderno (...) [Tais movimentos] são associados a expressões de um tipo específico de experiência espiritual que, em seu aspecto mais significativo, independe das tradições e símbolos religiosos através dos quais se expressa (Cooper Op.Cit. p.14 – grifos meus).
[10] Ver: GRAY. Op. Cit. p. 21.
[11] Ver: CHOMSKY, Noam. 2001. 9/11. New York: Open Media/Seven Stories Press.
[12] Citado por BERMAN. Op. Cit. p. 203.
[13] Ver: Baudrillard, Jean. 2002. The Spirit of Terrorism. London: Verso. pp. 5-6.
[14] Link: http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,invencao-do-terror-que-emancipa,305355.
[15] Link: www.geocities.ws/vladimirsafatle/vladi031.htm
[16] Ver: GLUCKSMANN (2004[2007]). p. 140.
[17] Ver: COOPER. Op. Cit. p. 12.
[18] Ver: COOPER. Op. Cit. p. 3.
[19] Ver: COOPER. Op. Cit. p. 13.